måndag 10 februari 2014

Många vänner på MST:s kongress

Kongress visar sig vara riktigt kul, fullt ös överallt och det är så många man träffar här. Från Bahia har det kommit 39 bussar med 40 i varje. Så kul att se hur folk utvecklas och växer inom rörelsen

Djean mötte jag första gången vid ett vägkantsläger, tufft läger vid Riksettan som förbinder Brasilien från Norr till Söder. Då dav han en ganska förvirrad ung man. Nu har han verkligen stadgat sig bor i en bosättning och producerar mycket. Här på kongressen säljer han den och bjuder också ut beijos, en slags läckra rullar med material från hans egen täppa.














Beth i mitten var med kvinnan till höger i Sverige på turné för några år sedan som kvinnor som kämpade mot eukalyptus. Till vänster hennes man som jag träffade i deras bosättning i Rio Grande de Sul på deras fina bosättning/kooperativ där de producerar ekologiskt ris/råris som de också paketerar och gärna ville sälja till Sverige. Jag skulle gärna köpa det och äta det om vi hittade en importör

Maria var också i samma vägkantsläger som Djean. Då var hon ganska blyg, nu koordinerar hon en region vid Santo Amaro och är tuff och glad. Också hon har växt, så kul att se


MST Bahias egen trubadur 













Det här glada  gänget har jag också träffat. De firaade med lite öl, men när jag skulle fota ville de inte fotas med öl i handen, skulle ge dåligt intryck tyckte de.






 Helenice var i Sverige och talade. Men sedan råkade hon ut för en otrevlig bilolycka och låg ett tag riktigt illa till och var förlamad och riktigt olycklig. Nu börjar hon må bättre och är tillbaka i Victoria de Conquista och arbetar med utbildning i MST, det är bara hennes högra arm som är förlamad

Lägg till bildtext
Julio slall börja arbeta med att dra igång ett lregionalt kooperativ i Chapada Diamantina, skall bli spännande














Eusinalva var nyss i Sverige och Finland och deltog på Stoa Ensos stämma, det var inte så kul tyckte hon.
Det var mycket trevligare att tala på universiteten















Ademar var med på Forum Social Europeo för några år sedan i Malmö och åkte sedan vidare i Norden














Ana Justo var i Sverige i höstas på en Europaturné. Hon bodde hemma hos mig när Sverige förlorade första
matchen mot Portugal och vi led tillsammans

Kongressen har börjat i Brasilia

Det har samlats 15 000 medlemmar från MST i hela Brasilien. Jag och Max är på plats och jag kommer att blogga kontinuerligt. Jag kommer alltså inte att bombardera er med mejl utan ni som är intresserade kan gå in på  den här bloggen för att följa med.

Det är fantastiskt med alla dessa människor, många jag känner men knappast 15 000. Vi håller till precis bredvid fotbollsstadion i Brasilia som kommer att rymma 60 000 (tror jag) till VM. Normalt behövs det 3000 platser

Solidariska hälsningar

Lennart
-- 

onsdag 5 februari 2014

Congratulations to MST on its 30th Anniversary

Lite kul att Right Livelihood Award från Sverige är först ut att gratulera MST till 30-årsfirandet

The Right Livelihood Award Foundation congratulates Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) on the occasion of their 30th anniversary.
In 1991, MST received the prize “for winning land for landless families and helping them to farm it sustainably”. MST has successfully advanced the goal of agrarian reform and stood up for the rights of the landless poor in Brazil for these past thirty years. Despite the increasing criminalisation of movements struggling for social justice in Latin America, the members and leaders of the MST continue to persevere in their work, against all odds.

When Cícero Guedes, a MST activist was assassinated on 25 January 2013 – a year ago – the Right Livelihood Award family was able to contribute to the process of bringing those responsible to justice by sending a delegation to Maraba, Pará in April 2013. The delegation expressed solidarity with MST activists in the region, condemned attacks against activists and demanded that Cícero’s murderers be held accountable. Subsequently, at the first Regional Conference of the Latin American Laureates, in July 2013, we were able to link MST representatives with our other Laureates in the region, thereby strengthening MST’s regional network.
The Right Livelihood Award Foundation will continue to support MST in its struggle and wishes all involved in the movement every success in the coming years.

tisdag 28 januari 2014

MST alfabetiserar 50 000

MST berättar att man alfabetiserat mer än 50 000 under sina 30 år. Ännu mer imponerande är att utbildat 8000 pedagoger. Tråkigare är att många skolor på landsbygden stängts, 24 000. Fortfarande återstår 14 miljoner att alfabetisera.

EM 30 ANOS, O MST ALFABETIZOU MAIS DE 50 MIL TRABALHADORES E
TRABALHADORAS

 O acesso à educação é um direito humano fundamental. Desde a
retomada da luta pela terra, em 1984, no Acampamento da Encruzilhada
Natalino, no Rio Grande do Sul, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem
Terra (MST) busca garantir que os acampados e assentados tenham acesso
à educação pública, gratuita e de qualidade em todos os níveis.

 Mais de 50 mil pessoas já aprenderam a ler e escrever no MST, fruto do
entendimento de que alfabetizar os trabalhadores é um passo importante
para a transformação social. Além disso, foram formados mais de 8 mil
educadores que atuam em escolas no campo.

 "O compromisso do movimento com a alfabetização é que enquanto
existirem analfabetos, o MST vai estar na luta para alfabetizá-los. É
a mesma convicção de que enquanto existir um trabalhador campesino sem
o acesso a Terra continuaremos lutando pela Reforma Agrária", afirma
Cristina Vargas, do setor de educação do MST.

 No entanto, o acesso à escola é um desafio permanente para os
camponeses e camponesas. Ainda nos primeiros anos do MST, surgiram as
primeiras escolas, denominadas de "Escolas de Acampamentos", que mais
tarde passam a ser chamadas de Escolas Itinerantes. A existência dessa
prática educativa garantiu a escolarização de muitas crianças e
adultos, permitindo que esta experiência fosse reconhecida pelos
órgãos públicos do Rio Grande Sul.

 Durante esses 30 anos, que serão comemorados nesse ano durante o VI
Congresso Nacional do MST, a ser realizado entre os dias 10 e 14 de
fevereiro, em Brasília, o movimento estima que foram construídas
aproximadamente 1200 escolas públicas - estaduais e municipais - nos
assentamentos e acampamentos, das quais 200 são de ensino fundamental
completo e em torno de 100 vão até o ensino médio, nelas estudando em
torno de 200 mil crianças, adolescentes, jovens e adultos Sem Terra.

 Também faz parte da atuação do MST os trabalhos educacionais
através dos cursos de nível técnico que capacitam os trabalhadores
Sem Terra a atuar em cooperativas, além de cursos de graduação, como
licenciatura, pedagogia, direito, jornalismo, administração. Já foram
criados 50 turmas de cursos técnicos de nível médio e superiores em
parceria com Universidades e Institutos federais, em um total próximo a
2 mil estudantes.

 FECHAR ESCOLA É CRIME!

 O MST defende que a escola esteja onde o povo estiver. Os camponeses
têm o direito e o dever de participar da construção do próprio
projeto de escola, respaldados no princípio constitucional de que a
educação é direito de todos e dever do Estado.

 No entanto, após décadas de lutas por conquistas no âmbito
educacional, cada vez mais escolas no campo estão sendo fechadas. Em
oito anos, mais de 24 mil escolas deixaram de atender crianças e
adolescentes filhos de trabalhadores rurais.

 No ano de 2002, existiam 107.432 escolas do campo. Já em 2009, o
número de estabelecimentos de ensino reduziu para 83.036, significando
o fechamento 24.396 estabelecimentos de ensino, sendo 22.179 escolas
municipais.

 O Brasil ainda possui 14,1 milhões de analfabetos, o que corresponde a
9,7% do total da população com 15 anos ou mais de idade. Um em cada
cinco brasileiros é analfabeto funcional, ou seja, lê e escreve, mas
não consegue compreender, interpretar ou escrever um texto.

måndag 20 januari 2014

Stedile inför kongressen

En lång pessimistisk intervju med Stedile inför kongressen, rubriken Brasilien blir inte demokratiskt om jorden inte demokratiseras.

Regeringen gör mycket lite, agrobusiness får mer makt och förgiftar miljön


http://blogs.estadao.com.br/roldao-arruda/ha-86-mil-lotes-vagos-no-nordeste-e-ninguem-toma-providencias-diz-stedile/


19.janeiro.2014 22:12:35

“O Brasil não será democrático se não democratizar a terra”

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST, completa trinta anos neste mês de janeiro. Sua criação foi formalizada durante um encontro realizado em Cascavel, no Paraná, entre 20 e 23 de janeiro de 1984, com a presença de quase oitenta pessoas, de diversas partes do País. Entre elas encontrava-se João Pedro Stédile, que havia começado a participar de ações em defesa da reforma agrária por meio da Comissão Pastoral da Terra (CPT), ligada à Teologia da Libertação.
Na entrevista abaixo, Stédile, que faz parte da coordenação nacional do MST, analisa algumas das principais mudanças ocorridas em três décadas e as perspectivas do movimento. Ele afirma que defensores da reforma agrária são minoria no governo da presidente Dilma Rousseff, que estaria privilegiando cada vez mais o agronegócio. Na avaliação dele, é uma política errada, uma vez que o agronegócio promove a concentração de terras e “dá lucro para alguns, mas condena milhões à pobreza”.
O MST surgiu numa conjuntura muita diferente. O Brasil era mais rural, o agronegócio estava menos estruturado, a produção de alimentos era precária, os índices de pobreza rural e urbana eram mais altos. De lá para cá, o agronegócio se tornou altamente competitivo, a produção de alimentos cresceu e o Brasil é apontado como uma potência mundial. Faz sentido continuar insistindo na bandeira da reforma agrária?
A reforma agrária está na ordem do dia como necessidade para construirmos uma sociedade democrática e ter o desenvolvimento social. A terra é um bem da natureza e todos os brasileiros que quiserem trabalhar na terra tem esse direito. Não é justo nem democrático que a propriedade da terra esteja cada vez mais concentrada. Em torno de 1% dos proprietários controlam metade de todas as terras. E agora, pior, estão entregando a propriedade para empresas estrangeiras em detrimento das necessidades do povo. O Brasil nunca será democrático se não democratizar o acesso à terra, para que as pessoas tenham trabalho, renda e dignidade.
Na sua avaliação, o agronegócio não contribui para o desenvolvimento do País?
O agronegócio é uma falácia. É um modelo de produção que interessa aos grandes fazendeiros e às empresas transnacionais que controlam o comércio mundial. Nos último dez anos tivemos uma enorme concentração da propriedade da terra e da produção agrícola. Cerca de 80% das terras são utilizadas apenas para soja, milho, cana, pasto e eucalipto. Tudo para exportação. É um modelo que dá lucro para alguns, mas condena à pobreza milhões. Veja o caso do Mato Grosso, tido como modelo: mais de 80% dos alimentos consumidos pelo povo dali têm que vir de outros Estados. Nós temos 40 milhões de brasileiros que dependem do Bolsa Família para comer e 18 milhões de trabalhadores adultos que não sabem ler. Foram fechadas 20 mil escolas no meio rural e os índices de pobreza não diminuíram. Essa é a consequência do agronegócio.
A maioria da população tem uma imagem favorável do agronegócio.
Ela pode até apoiar, enganada pela propaganda permanente. As consequências perversas do agronegócio atingem a toda população, quando destrói o meio ambiente e altera o clima até nas cidades, quando só produz usando venenos. Esses venenos destroem a biodiversidade, contaminam as águas e os alimentos.
A capacidade do MST para mobilizar pessoas e organizar ocupações de terras diminuiu. O Programa Bolsa Família é apontado como uma das principais causa dessa mudança. Outra causa seria o mercado de trabalho, que se tornou mais favorável à mão de obra menos qualificada, especialmente no setor da construção civil. Concorda com essa avaliação?
A diminuição das ocupações se deve a uma conjugação de diversos fatores. Do lado do latifúndio, houve uma avalanche de capital que foi para agricultura atraído pelos preços das commodities – que dão elevados lucros, aumentam o preço das terras e, com isso, bloqueiam a reforma agrária. Do lado dos trabalhadores, os salários aumentaram nas cidades, o que reforçou o êxodo rural. Há um bloqueio da reforma também no Judiciário e no Congresso, que não consegue nem regulamentar a lei que proíbe trabalho escravo. E tem a inoperância do governo, que abandonou as desapropriações. Os trabalhadores, percebendo que as desapropriações estão paradas, acabam desanimando, pois vêem seus parentes ficarem durante cinco, oito anos debaixo da lona preta, esperando por terra, sem solução. Mas tudo isso é conjuntural.
Acha que essa situação é passageira?
Sim. O problema da pobreza do campo e do número de trabalhadores rurais sem terra não foi resolvido. A retomada da luta, com mais força, é apenas uma questão de tempo.
A presidente Dilma Rousseff deixou claro desde a campanha eleitoral que não está preocupada com a criação de novos assentamentos, como quer o MST. O objetivo dela é reduzir a pobreza, com a elevação dos índices de produção das famílias já assentadas. Como vê isso?
O governo Dilma é hegemonizado pelos interesses do agronegócio. Os setores do governo que ainda defendem a reforma agraria são minoritários. O Estado brasileiro, por meio do Judiciário, do Congresso, das leis e a mídia, é controlado pela burguesia, que usa esses instrumentos para impedir a reforma. Nesse governo, a incompetência e a má vontade política são impressionantes. Há dois anos, durante uma reunião do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, a presidenta nos prometeu que iria priorizar assentamento de famílias sem terra nos projetos de irrigação do Nordeste, que é onde vivem os mais pobres. Pois bem, há 86 mil lotes vagos nos projetos há existentes, nos quais o governo poderia assentar 86 mil famílias. Mas ninguém toma providências.
Por que?
Porque, no botim dos partidos, o Ministério da Integração foi gerido a serviço das oligarquias nordestinas.
Como vê a situação dos assentamentos já existentes?
Enfrentam muitos problemas. Um deles é o da moradia. Temos um déficit de mais de 150 mil casas. Também é preciso ampliar os programas de compra direta de alimentos e da merenda escolar, uma conquista obtida durante o governo Lula. Ainda há falta de escolas no meio rural, porque o MEC continua incentivando as prefeituras a levarem as crianças para cidade, com o oferecimento de vans.
A presidente Dilma assinou um decreto determinando que os recursos destinados aos assentamentos sejam transferidos diretamente para as famílias beneficiadas, em vez de passarem antes por cooperativas, como acontecia. Isso não vai enfraquecer as cooperativas e a organização dos assentados? Acha que a medida está relacionada às afirmações de que o MST sobrevivia com o dinheiro repassado às cooperativas?
Isso é irrelevante. Os recursos de crédito nunca passaram por cooperativas e associações. O assentado precisa sempre fazer o contrato direto no banco. A não ser, em raros casos, de existência de cooperativa de crédito rural.
Ao mesmo tempo que se verifica o refluxo das ações na zona rural, aumentam as manifestações urbanas e surgem novas organizações. Como vê isso? O que achou das manifestações ocorridas em junho?
Toda mobilização social na política é muito positiva. E o lugar natural do povo participar ativamente da política é a rua. É o lugar para se manifestar, lutar e defender seus direitos e interesses. Vimos as mobilizações com bons olhos e, na maioria das cidades, nossa militância também participou. Elas deram um sinal de que precisamos de mudanças.
Que tipo de mudanças?
Nas áreas de moradia, transporte público, educação, saúde para todos, reforma agrária. Para fazer as mudanças, porém, precisamos de uma reforma política, que garanta a representatividade do povo na administração do Estado. A política foi sequestrada pelo financiamento privado das campanhas, que deixa todos os eleitos reféns de seus financiadores. Por isso, nós, dos movimentos sociais, estamos pautando a necessidade de lutarmos por uma reforma politica, que democratize a forma de eleger os representantes.
É possível fazer a reforma com esse Congresso?
Claro que não. Diante disso, estamos articulados numa grande plenária nacional de movimentos populares e entidades da sociedade para lutarmos por uma constituinte soberana e exclusiva, convocada para promover a reforma política. Durante todo esse ano vamos fazer um mutirão de debates e na semana do 7 de Setembro faremos um plebiscito popular, para que o povo vote e diga se quer ou não uma assembleia constituinte.

onsdag 8 januari 2014

MST:s kooperativ

Inför 30-årsjubiléet lyfter MST fram de mer än 150 kooperativ och andra organisationer man skapat för att producera livsmedelI delstaten Rio Grande do Sul, har det producerats mer än 300 000 säckar ekologiskt ris,  I Santa Catarina, mer än 9 miljoner mjölk per månad. i Paraná har man processat 2 miljoner liter mjölk i månaden,förutom mer än 600 000 säckar  ris..Liksom förut är det de små lokala industrierna man menar är viktiga att skapa. Dessutom talar man om ekologisk matproduktion som viktig, intressant och avancerad. Vilken jord är det vi vill skapa blir den retoriska frågan i denna text på portugisiska.



Em 30 anos, o MST conquistou mais de 150 cooperativas e associações


Ao longo dos 30 anos de história do MST, que se completam em 2014, muitas conquistas podem ser comemoradas pelos Sem Terra, sejam elas no âmbito da luta pela terra, da educação, da cultura, da formação, entre outras.

Entretanto, uma em específico merece atenção: a produção agrícola nas áreas de assentamento.

Ao todo, mais de 60 cooperativas e cerca de 100 associações integram o processo produtivo do Movimento em todo o país, envolvendo centenas de milhares de famílias assentadas e acampadas.

Segundo Antonio de Miranda, do setor de produção do MST, um dos principais desafios do processo produtivo se dá no âmbito da cooperação agrícola. Para ele, é necessário definir linhas de produção por região, para que sejam formados eixos articuladores da cooperação e da organização do processo produtivo.

“Buscamos construir um processo de agroindustrialização a partir das linhas de produção, sem deixar de avançar no processo de comercialização da nossa produção, seja em feiras livres ou no mercado institucional”, destaca.

Segundo ele, pode-se citar como exemplo desse processo a produção de arroz orgânico no Rio Grande do Sul, onde são produzidas mais de 300 mil sacas, envolvendo 1600 famílias de 9 assentamentos da região.
Já em Santa Catarina, por exemplo, os Sem Terra têm como carro chefe a pecuária leiteira, produzindo mais de 9 milhões de litros por mês. O Paraná não fica muito atrás, já que três cooperativas regionais são responsáveis pela industrialização de 2 milhões de litros de leite por mês, além das 600 mil sacas de arroz.

“Em geral, todos os assentamentos do MST produzem leite, mas se somarmos apenas a produção dos assentamentos que ainda estão em processo de organização de sua produção leiteira, temos aí mais de 5 milhões de litro dia”, observa Miranda.

Além dessas experiências, diversos outros cultivos já contam com o processo de agroindustrialização, seja ele de grande ou pequeno porte, como a pecuária de corte, a criação de pequenos animais, o cultivo de uva, coco, cacau, café, feijão, milho, soja, caju, mandioca, peixe. Além do cultivo de frutas locais e a realização de feiras livres a partir das hortas.

“Um dos nossos maiores desafios é a luta pela criação de agroindústrias nos próprios assentamentos. Isso permite agregar maior valor ao produto, gera mais emprego nas áreas, principalmente à juventude, e permite um maior desenvolvimento do assentamento como um todo”, acredita.

Produção agroecológica
 

De acordo Miranda, a luta em torno da produção agrícola nas áreas de assentamento não se limitam apenas na esfera da produtividade, mas também na qualidade dos alimentos.

“Vivemos num período de hegemonia do modelo produtivo do agronegócio, mas ele só é capaz de produzir monocultivos, destrói a biodiversidade local, exigi enorme utilização de agrotóxicos, polui o meio ambiente e contamina os alimentos que consumimos”, pontua.

Nesse sentido, outro grande desafio do MST apontado por Miranda é contrapor esse modelo produtivo, construindo um modelo alternativo de produção agrícola no campo brasileiro: a agroecologia.

“A agroecologia é uma matriz tecnológica altamente sofisticada e o que há de mais avançado no mundo agrícola. Com isso, ela só será possível de ser realizada em sua plenitude se contar com grandes políticas públicas, com instituições públicas de pesquisas voltadas a ela, com tecnologia apropriada à agricultura camponesa, com técnicas que diminuam a penosidade do trabalho e aumente a produção”, avalia Miranda.

Dentro dessa perspectiva, a luta dos Sem Terra também se dá em torno da disputa pelo modelo agrícola a ser implantado no país, ao buscar a transição da atual situação para as técnicas de agroecologia nos assentamentos.

“Que tipo de agricultura queremos? Essa que acaba com as florestas, só produz com veneno e gera câncer na população ou a que cultiva alimentos saudáveis, gera emprego e preserva o meio ambiente?”, indaga Miranda.

måndag 30 december 2013

Utvärdering av 2013



Joao Pedro Stedileby Joao Pedro Stedile, National Coordination of the MST

It is usual to take advantage of the year-end period, forever doing the critical balance of losses, achievements and progress in the various sectors of activities of our society.

Unfortunately for workers who live in the countryside the balance of 2013 is anything but optimistic. Briefly we could track several defeats that the movement of capital in imposed.

The process of concentration of land ownership and agricultural production continues to accelerate and our natural resources are increasingly concentrated in the hands of fewer capitalists. There was an avalanche of foreign financial capital to control more land, more water, more plants, more agro-industries and virtually all foreign trade of agricultural commodities. And some of them are already buying up the oxygen of our forests, the famous way of carbon credit, then resold in European exchanges to permit Europe to maintain its pollution!
The rural caucus in congress, faithful squire of the interests of capitalists, landowners and transnational companies are, after imposing on us in last year’s defeat of the revision of the forest code, now want to get their hands on indigenous lands and prevented enactment of the law punishing those who still practice slave labor. In addition, they want to release genetically modified terminator seeds, that when replanted, do not germinate and are prohibited worldwide.

In the Dilma government, the hegemony of agribusiness interests is consolidated by the actions of various ministries. In actions against indigenous peoples, they are releasing agricultural poisons, which are banned in most countries, or releasing significant public funds, regulating the transfer and application from national savings credits for agribusiness? In the last harvest were shifted 140 billion dollars of savings from Brazilian farmers to produce commodities for export. Currently, I'm trying to make a quick pass of the revisions in the mining code designed to deliver at once our underground riches to transnational corporations.

And even the positive program of the Lula government, as the PAA (program of advance purchase of food from peasant farmers) is now under heavy pressure from greedy large farmers, with an eye on CONAB [Companhia Nacional de Abastecimento – National Supply Company].

Land reform, understood as measures of expropriation of large estates to democratize the land, is completely paralyzed. The Rousseff administration expropriated less than the last government of the military dictatorship, General Figueiredo. And over a hundred thousand families wait ... languishing in camps on the roadsides!

We had the problem of drought in the Nordeste [Northeast], that struck millions of peasants and killed from hunger and thirst around ten million heads of livestock (cattle, goat and sheep), while U.S. companies took 18 million tons of our corn for to turn into ethanol in the United States .

Projects of irrigated perimeters of the Nordeste still serve as a source of profit for large contractors and delivery of irrigated areas only to businessmen, to the detriment of farmers in the same region.

Advances or positive points, we had very few. We won from the government a national agroecology plan, which will be a milestone. And we move forward with more higher education courses for agrarian reform youth in PRONERA [Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária – National Program of Education in Agrarian Reform] and other agreements with universities. And we won the program of more doctors that brought assistance to thousands of Brazilians in rural areas, where no physician from the Brazilian middle class wanted to go.

But perhaps the most important that has happened in the class struggle in the countryside during the year 2013, is to increase the evidence of the contradictions of agribusiness, with its attacks on the environment, with the use of pesticides and the manipulation of food prices. And second, followed by building a broad unity among all rural social movements, for a program of agriculture to be focused on the interests of all of the people.

And in big cities, young people were our voice in call for changes, and a better country . Certainly we will add to them in 2014, demanding political reform and a sovereign constituency, since the ears of the elites and the three powers [executive, legislative and judicial] are still blocked by their stupidity.
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"2013 is the worst year for Agrarian Reform,” says João Paulo Rodrigues Chaves
Joao Paulo Rodriques ChavesThe year 2013 won’t be missed by the Landless throughout the country. Regarding the struggle for land, the balance is positive, due to the demonstrations, marches and occupations of land and public buildings that occurred almost throughout the year.

But when referring to Agrarian Reform policy, almost nothing has been done, and in many cases the government walked backwards. This is the assessment of João Paulo Rodrigues Chaves, from the national coordination of the MST, on the agrarian policy stimulated by the federal government during all of this year.

As Rodrigues stated, something that has always been bad in this government became even worse. “So far, only 159 families were settled around the country. It's a shame. There were 10 properties expropriated by the Dilma government. Worse than the last military government of General Figueiredo, when 152 properties were expropriated," he says.

Check out the interview:
How do you rate the struggle for land in 2013 in a period of complete paralysis of Agrarian Reform?

Despite being a completely negative year in relation to agrarian reform, the peasants remained steadfast in the struggle for land.

In March, for example, we set up a permanent camp in Brasilia for three months, struggling constantly in the federal capital, with marches, occupations of ministries and political acts.

In the same month, the journey of the women happened, when more than 10,000 farmers mobilized to demand the settlement of 150,000 families camped across the country; occupying land, agrochemical companies, public buildings, marching and blocking highways.

Immediately following, in the month of April, the Landless made
​​another journey of national character, with demonstrations in 19 states plus the Federal District. Again blocked dozens of highways, occupied more land, public buildings, city halls and held marches and political acts across the country.

In June and July the Movement joined the demonstrations that came out to the streets of major cities in the country and blocked several highways. In this wave, landless youth organized a campaign of struggle in the beginning of August. In the end of this month, the whole Movement held, along with the central trade unions, a national mobilization, with the central unions conducting strikes and work stoppages in the cities, while in the countryside we blocked the highways.

In October, more than 12 states mobilized around the Unitary Day for Food Sovereignty, when once again the rural population promoted marches, occupying land and public buildings. That same month, the quest of the Landless youth reoriented the fight in the countryside and the necessity for Agrarian Reform, occupying ministries and state departments.

All this just to talk about the struggles of national character, not counting regional struggles in the states. That is, to say that there is no more fighting in the countryside is a big lie.

And where does the question of land reform enter?

This is where the big problem comes with an extremely negative balance. This is the worst year of Agrarian Reform. The Rousseff administration, which has always been bad in this matter, got worse. So far, only 159 families were settled around the country. It's a shame.

There are 10 properties expropriated by the Dilma government. Worse than the last military government of General Figueiredo, when 152 properties were expropriated.

Another serious problem is what the federal government is calling the “emancipation of settlements,” i.e. passing the title of the lots to the settlers. In practice, it serves to let the state take responsibility for the families. But the worst is that this policy will create a counter agrarian reform, since large farmers would then press the settlers to sell their lots, putting everything downhill and further increasing the concentration of land in the country.

And what is the cause of this difficulty in advancing Agrarian Reform?

We can cite two major crucial issues.

The first is that the government is completely hostage to the Rural Caucus, the largest front in Congress. There are 162 deputies and 11 senators in the Rural Caucus, not counting the legion of last minute followers.

Just to have a dimension of the problem, no matter how absurd the agenda of this sector is, they manage to come out victorious in all proposals, even unconstitutional ones.

We can start with the stranglehold of the Forest Code [Ed. revised to permit increased exploitation of the forest), through the amendment of the PEC do Trabalho Escravo [Ed. Proposal to Amend the Constitution on Slave Labor -  a proposal to change the definition of what constitutes slave labor], backtracking on legislation concerning the demarcation of indigenous lands, the creation of a special commission to release new pesticides with greater ease - ignoring the assessment work  of ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Brazilian National Health Surveillance Agency)  and IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - Brazilian Institute of Environment and Renewable Natural Resources) - and the release of new transgenic crops .

None of these proposals are in the interest in Brazilian society. All are exclusively the particular interests of this sector and were victorious. The Rural Caucus is a cancer of the Brazilian people.

The other issue is the illusion of the government in relation to agribusiness. The major commodity exports promoted by this sector allow the government to maintain the policy of systematic generation of a primary surplus, ensuring the fate of budgetary resources to the financial sector, as interest payments and debt service, which is unfortunate.

But at the same time [the government] has created some public policies for family and peasant agriculture.

First it is very important to note that all policies are the achievements of the struggles of social movements. We strive for guaranteeing the purchase of food and we won the National School Feeding Programme (PNAE) and the Food Acquisition Program (PAA). We fight for education in the countryside and won the National Education Program in Agrarian Reform (Pronera).
We fight for the industrialization of our production, and we won the Programa Terra Forte [Ed. program to promote agroindustry (e.g. cheese and yogurt production on settlements with dairy cattle) in the agrarian reform settlements]. We fought for a different model of agriculture, and won the National Plan for Organic Production and Agroecology - Agroecology Brazil. There are but a few examples of this.

However, we have in mind that although these measures are important, they also have their limits. They are very disproportionate compared with the investments in agribusiness. To get an idea, the Harvest Plan 2013/2014 for family agriculture represents just over 20% of the budget for agribusiness.

Furthermore, we have those policies today, but nothing assures us that we can count on them tomorrow. A simple change of government, for example, may end all our achievements.

What do you need to do then?

The need is to prioritize peasant and family farming, and not treat them as an afterthought. The government must understand that the only solution to poverty is extensive land reform, creating thousands of jobs in the countryside. On the contrary, there remains only the swelling of major urban centers and the slums of the suburbs around these big cities.

That is, change the logic and structure of agricultural production in Brazil. The FAO (United Nation’s Food and Agricultural Organization) itself has recognized that the only way to end the environmental crisis and guaranty food sovereignty is in family farming. This was said by José Graziano, director of the FAO. This recognition of the need for family farming is so primary that 2014 will be designated the International Year of Family Farming by the UN.

But why can’t both models of agriculture be reconciled?

They are models that contrast in their logic and essence. The greed of agribusiness with its gigantic economic resources impedes another type of agriculture, and always seeks to incorporate the peasant land and natural resources into its model of commodity production.

To get an idea, in the last two decades more than 6 million people were evicted by agribusiness in the Brazilian countryside. And where did they go? To the slums of major urban centers. Agribusiness does not generate employment, since more than 70 % of the rural workforce is employed in family farming, and, further, it appropriates small and medium farms, increasing the concentration of land in Brazil year by year.

Within the production of staples of the Brazilian people, the situation is also very serious. From 1990 to 2011, the areas planted with staple foods like rice, beans, cassava and wheat declined between 20-35 %, while the elite’s agribusiness products, such as sugarcane and soybeans, have increased 122% and 107%. And all of these are export-oriented. We have to import rice and beans from China. This is alarming.

In February 2014, the MST will hold its 6th National Congress. What does the Movement intend with this activity?

In it we will consolidate our proposal around the People's Agrarian Reform. More than ever Agrarian Reform is urgently needed. However, it is a new type of Agrarian Reform, what we call people’s land reform.

We understand that the land reform is no longer just a national policy for the rural population. It is urgent and necessary to the whole of society as a whole.

If we want to eat food full of poison that will give us cancer, to cultivate a production that destroys the environment and contributes to the climate crisis, to expel the peasants from the countryside increasing the poor population of the big cities, then Agrarian Reform in fact not is required.
But if we want, on the other hand, a production model that reconciles production with environmental preservation, that provides the Brazilian people with healthy food without pesticides, that ends misery and poverty our country, then it was never so necessary.

Therefore, we have to show the importance agrarian reform to the whole society for the help of the working class achieving the People's Agrarian Reform, which is only possible with a comprehensive reform of the political system.

And what are the prospects for the struggle for the next period?

In this last period, we have built and expanded the unity of all rural social movements, with their eyes on a program of agriculture that really is in the interest of the Brazilian people. And that tends to more each time.

Alongside this, there is mounting evidence of the contradictions of the agribusiness model – the destruction of the environment, the massive use of pesticides and insecurity of food prices.

Furthermore, the result of the great struggles of this year, the social organizations built the Popular Referendum for deep political reform in 2014, which would dramatically change the current picture.
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