lördag 24 januari 2015

En bok om vad som hände 2013 med protesterna och de sociala rörelserna i Brasilien

Ett antal olika författare har skrivit om vad som hände och analyserar från olika utgångspunkter, bland dem MST:s Stédile och Gilberto Gil

Sem buscar respostas concretas e fáceis, livro reúne série de artigos de diversos personagens que buscam entender o que aconteceu com o Brasil desde a série de protestos em junho de 2013
21/01/2015
Por Bruno Pavan
Da Reportagem

Movimento. De acordo com o dicionário da Porto Editora: ato de mover ou de se mover; mudança de posição no espaço em função do tempo; deslocação; mudança de lugar ou de posição; evolução de ideia; agitação política.
Não se pode decretar facilmente para onde um movimento pode levar um corpo, mas é certo que ele não continua no mesmo lugar. É toda essa movimentação que o livro “O Brasil em movimento“, lançado pela editora Rocco, procura entender.
Com a participação de personalidades da luta política brasileira como o deputado estadual do PSOL do Rio de Janeiro Marcelo Freixo, o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) João Pedro Stedile, o cantor e compositor Gilberto Gil entre outros, a coletânea de artigos busca analisar a natureza dos protestos que tomaram as ruas em 2013 contra o aumento das passagens do transporte público, algo que vem acontecendo novamente neste mês de janeiro em diversas capitais do Brasil.

Para a professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo Raquel Rolnik, junho de 2013 nada mais foi do que o encontro de diversas pautas que já estavam nas ruas desde, pelo menos, o começo dos anos 2000.
“A demanda do Passe Livre não é uma luta nova, ela estão nas ruas desde 2003 e já haviam gerado uma agitação política com, por exemplo, a revolta do busão em Salvador naquele ano. As ruas foram um ponto de encontro dessas demandas. Foi a fagulha que incendiou a pradaria“, explicou.
A importância dos movimentos

“Um passo à frente e você não está mais no mesmo lugar“, citava o pernambucano Chico Science em 1994. O movimento e a organização também são essenciais para a vida humana em sociedade, explica o arquiteto Paulo Mendes da Rocha, que também participa do livro.
“Os seres humanos, os animais selvagens, os micróbios todos nós nos comportamos de tal maneiras que somos reconhecidos pelos outros. Para isso, temos que respeitar a nossa própria natureza, que é sempre viver num movimento mútuo e numeroso. O que é uma infecção se não um movimento em massa de organismos que buscam viver de alguma forma?“, disse.
E nenhum cenário é mais propício para essa massa de seres humanos em construção do que as cidades. Voltando ao músico pernambucano, na música “A cidade“ ele traça o que nós temos em comum com a urbe: a cidade não para/ a cidade só cresce, mas, logo depois, profetiza qual é o resultado desse crescimento na lógica do capitalismo em que o de cima sobe/ e o de baixo desce.
Berço das maiores mobilizações populares durante toda a história brasileira, foi nas ruas que milhões pediram diretas já, o impeachment de Fernando Collor e muitas outras demandas da sociedade. A novidade de 2013 foi que a cidade também foi alvo dos protestos e sua relação com os cidadão foi novamente questionada.
Para o arquiteto, as cidades são inquietantes por natureza e essa sua vocação é que faz com que movimentos aconteçam nelas o tempo todo. “Mais uma vez ficou ressaltada a imagem das cidades como sendo o que o ser humano é. Como ela não é algo que existe fechado na natureza, ela nada mais é do que resultado da nossa mobilização para as criar. Se houvesse um motivo para as cidades existirem, seria para conversarmos“, analisou.
A catraca como símbolo do atraso

A falta de direito à cidade é a principal luta dos movimentos pela gratuidade no transporte público, como o Movimento Passe Livre. Toda essa revolta pode ser ilustrada por um objeto: a catraca.
Dezenas delas foram queimadas pelas ruas para denunciar que o transporte público nas grandes cidades e, por consequência, o direito de circular por ela, estava sendo tratado como mercadoria por empresas e governos.
“Se há um monumento à ‘desarte’, algo mosntrengo, mas que representa tudo isso que estamos falando é a catraca brasileira. Uma coisa feia, fora de época e símbolo de um país que em algumas coisas é muito atrasado“, criticou Lúcio Gregori, ex-secretário municipal de transportes de São Paulo.

Gregori foi o responsável pelo projeto do passe livre na capital paulista durante o governo de Luíza Erundina, entre 1989 e 1992. Ele foi apresentado para a câmara dos vereadores mas não foi aprovado.
Lúcio, porém, explicou que a prefeitura conseguiu estatizar 100% do sistema de ônibus da capital, tirando assim as concessionárias que visavam lucros no transporte e podendo controlar o preço da tarifa dependendo de quanto subsídio ela poderia se responsabilizar.

“O Brasil é o sétimo maior PIB do mundo, mas investe em transporte como os últimos. Madri e Paris chegam a dar subsídios de 55% até 60% no transporte público. Por aqui, o máximo que chegamos é 20%. Quando fui secretário estatizamos o sistema de ônibus. Com isso, a prefeitura poderia deixar o preço do transporte de acordo com o subsídio que quisesse ter“, explicou Lúcio.
A história não acabou em junho de 2013

Logo depois da série de protestos, que avançaram também em 2014 durante a realização da Copa do Mundo, muitos se perguntaram: e agora? Qual será o futuro das mobilizações? Os jovens continuarão nas ruas? O modo de fazer política no país mudará drasticamente? Qual serão os resultados práticos disso?
Muitos acreditam que se trata de uma incoerência a eleição que sucedeu a maior revolta popular desde o impeachment de Fernando Collor elegeu o Congresso mais conservador desde a redemocratização.
Raquel, no entanto, analisa o processo como em aberto e acredita que as narrativas sobre o que aconteceu nas ruas ainda precisa ser contada. Ela, porém, pede para que se tome cuidado com respostas fáceis.
“A narrativa mais fácil acaba sendo a contra a corrupção. Acontece que ela posta dessa forma acaba mais despolitizando do que criando algo positivo. Ela esconde pontos centrais, por exemplo, como o Estado brasileiro foi montado para que poucos tirem o lucro da terra, das cidades e dos serviços públicos. Ela mostra os 10% da propina mas não mostra que os outros 90% estão indo para 1% dos mais ricos“, ponderou.
As respostas para as demandas das ruas preocupam todos os países que passaram por insurgências, por diversos motivos, no último período. A primavera árabe buscava mais democracia em países totalitários, mas gerou um governo teocrático no Egito. Na Europa em crise econômica, a resposta foi governos de direita em diversos países.
Sem se preocupar com o fato de haver mais perguntas do que respostas, a opinião de muitos analistas é de que a onda de protestos não acabou e que respostas definitivas não existem e nem são desejadas.
“Evidentemente as questões colocadas são tão amplas que nenhuma resposta imediata vai ser adequada. Mesmo se ela acontecer, tem um enorme perigo dela ser totalitária, uma espécie de líder milagroso que irá nos salvar que evidentemente jamais vai poder dar conta disso”, disse Raquel Ronik.
Lúcio também destaca que a estrutura de poder brasileira não consegue entender um movimento não hierarquizado e horizontal. “Quem foi pra rua são jovens que certamente vão passar ao largo das governabilidades, dos equilíbrios econômicos, das limitações orçamentárias e tudo o que resulta naquilo que todo mundo já conhece“, acredita.
Calma e olho aberto
O otimismo, porém, não significa que a parte da sociedade que está nas ruas deve se desorganizar e nem deixar de ficar atenta ao que acontece no cenário político nacional. Raquel afirma que não existe o “fim da história“ em junho de 2013 e sugere calma e olho aberto para as dificuldades que virão pela frente.
“Tem muito chão pela frente e muita coisa pra ser pensada e elaborada. Não vamos nos deixar enganar pelas interpretações fáceis daquilo que está acontecendo com a gente, com o Brasil e com o mundo, temos que ficar muito atento pra permanentemente tentar entender mas também mobilizados para continuar lutando", finalizou.

lördag 13 december 2014

Film från MST:s 30 årskongress

MST har verkligen utvecklats med filmandet.Denna mycket snygga film från kongressen i vintras innehåller visserligen ett antal kortare anföranden på portugisiska. Men här finns också vackra bilder från de olika misticas som så imponerande genomfördes varje morgon, effektivt regisserade massteatrar.

De svenska grupper som åkte över och arbetade med video hos MST i hela Brasilien har nog en del i detta så ta åt er en del av äran. När Cassia från det internationella sekretariatet var i Stockholm nyss bekräftade hon detta.

Hon sa också en intressant sak kring kongressen. Det kom visserligen 15 000 från hela Brasilien men det var inte så svårt att arrangera för allt arbete var decentraliserat till delstater och regioner som skötte sig själva med mat och boende och resor

måndag 8 december 2014

Film om MST med engelska undertexter

Kolla här http://www.soilstruggleandjustice.org/

Tre aktuella texter om MST på engelska

Interview with João Pedro Stedile

“Capital is imposing agribusiness as the only form of production”

For João Pedro Stedile, from the national leadership of the MST, this scenario is reaching completion under Dilma’s government, which is controlled by agribusiness

Brasil de Fato - February 4, 2014
by Joana Tavares of Minas Gerais

Brazil has never had an agrarian reform program that truly proposes democratizing access to land and guaranteeing land to the rural poor. João Pedro Stedile, from the national leadership of the Movement of Rural Landless Workers (MST), evaluates the current situation in the countryside. From his perspective, depending on the alignment of forces, “sometimes we advance and achieve more settlements. At other times, capital advances and prevents us from expropriating land. This is the current situation.”

Faced with this reality, more than 15 thousand MST militants will come together from February 10-14 for their 6th National Congress, in Brasilia. 30 years after the founding of the MST, the configuration of the Brazilian countryside points to the sharpening social contradictions that continue to accumulate, like a debt, throughout history.

“Amid this adverse situation, we have spent the last two years in discussions with our base, and we have built up the importance of popular agrarian reform,” Stedile affirms. He says this program includes the need for substantial expropriation of the largest estates, beginning with foreign enterprises.

In this interview, Stedile speaks about the the current prospects for agrarian reform and about the major challenges facing the working class this year. “Despite the advances of the last ten years with respect to neoliberalism, the workers still confront serious problems, which also affect the country’s youth,” he says. He believes that the mobilizations, more than welcome, are necessary to create change in the country.


Brasil de Fato - What is the situation of agrarian reform in Brazil today?
João Pedro Stedile – Brazil has never had an agrarian reform program that truly proposes democratizing access to land and guaranteeing land to the poor in the countryside. So, depending on the alignment of forces, sometimes we advance and achieve more settlements. At other times, capital advances and prevents us from expropriating land. This is the current situation. We do not have agrarian reform, and the process of taking over land for new settlements has been stopped. This is due to speculation in the prices of agricultural commodities, which has increased the profit of landowning farmers and driven the prices of land sky-high. Capital is imposing agribusiness as the only form of production. And this scenario is is reaching completion under Dilma’s government, which is controlled by agribusiness. Those who advocate for agrarian reform within the government are a minority. And even worse, Incra has an unbelievable level of administrative incompetence, which keeps them from resolving the smallest problems, even for those who already have settlements.

How will the projected changes for the MST in the country impact people who live in cities?

Amid this adverse situation, we have spent the last two years in discussions with our base, and we have built up the importance of a popular agrarian reform that represents necessary changes for all the people, not only for landless workers. And we have incorporated into our program the need for substantial expropriation of the largest estates, beginning with foreign enterprises. We need to prioritize food production. We need to produce food without agricultural toxins in order for city dwellers to be healthy. We need to adopt ecological agriculture with a new production matrix that is in balance with nature. We need to create agricultural cooperatives, to give employment to rural youth, stop their exodus from the country, and distribute income. And finally, we need to democratize access to education at all levels. This, essentially, is our agrarian reform proposal.

You were recently at the Pontifical Academy of Sciences in the Vatican, at the invitation of Pope Francis, to discuss the issue of world hunger. What were your impressions of this meeting?

It surprised everyone; for the first time the Vatican convened two social movements, the MST and the Cartoneros (collectors of recyclable material) of Argentina, to debate with bishops, intellectuals, and scientists from the Academy about the causes of poverty, exclusion, and other economic problems. We presented our perspective on the current stage of international finance capitalism, which dominates the world and bears primary responsibility for these conditions. The 300 largest companies in the world control half of humanity’s wealth. Unless we fight against this system, we will never have a more egalitarian, just, and democratic society. There will certainly be other developments at the seminary, with other encounters promoted by Pope Francis, who is surprising us all.

The MST has been the principal social movement in Brazil in the last few decades. Now youth are emerging as a major social force. What is your opinion about current youth movements?

Youth mobilizations in any society are a sort of thermometer of the temperature of society’s indignation. Here it is no different. Despite the advancements of the last 10 years with respect to neoliberalism, workers still confront serious problems, which also affect youth. And the youth took to the streets to say on behalf of all of us that we need social change. Change in the political regime, which doesn’t represent anyone. Change in political economy. And more. State and government meeting the needs of the people in terms of health, education, and quality public transportation.

How is the MST planning to dialogue or coordinate with these youth?

We try to get our activists involved in all mobilizations, even though our base is far from the capital cities. We continue encouraging youth to organize, to mobilize. And at the same time, we contribute by hosting statewide and nationwide plenaries of social movements that involve all sectors, from the labor movement to rural workers, so that we can discuss the direction of the country and the need for political reform.

Were you surprised by the size and impact of the June demonstrations led by these youth?

I was surprised by the way they happened, and how quickly. At the same time, all social activists knew that the problems faced by people in large cities were growing below the surface. One example is public transportation; people spend hours commuting and transportation is very expensive. Meanwhile, the government exempts drivers from IPI [Imposto sobre Produtos Industrializados, a basic sales tax] and incentivizes individual transportation, which is a boon for the multinational auto companies.
Our approach to public health is a disgrace. At least it led to the Programa Mais Médicos [More Doctors Program], which is a good thing. And in education too, we have major problems, from high levels of illiteracy, which affects 18 million working adults, to the fact that 88% of university-age youth cannot get into a university. On the other hand, institutional politics in Brazil have been held ransom by campaign contributors, who elect their hostages to office in the capital. And the people, the youth, no longer feel represented in parliament or in the political system. So sooner or later these problems would have come to the surface. And they surfaced in the perfect place: the streets! What better place for youth to learn about democracy?

What was the outcome of the June demonstrations for political struggle in the country?

In terms of real gains, it was small, because it only stopped the tax increase. But the political outcome is fantastic. They took politics back to the streets, they shifted the debate to necessary changes, and they put political reform and the need for a Constituent Assembly on the agenda. And they are still in process, and will continue to grow.

In the rest of 2013, the movements encountered some setbacks in national economic policy. What was the reason for these setbacks?

Federal economic policy is one of the central sites of class struggle in Brazilian society, because it distributes the wealth produced every day by the workers. And there has been constant pressure from banks and big businesses to take public money as interest or as a kind of favorable loan from BNDES [Brazilian Development Bank], through parliamentary amendments and tax exemptions. And from the point of view of the workers, we need to fight so that these resources, which are public, are invested in education, healthcare, agrarian reform, and public transportation for large cities. And in 2013, I believe the people lost this fight. The banks gobbled up 280 billion reais from the treasury in interest. The Central Bank, dominated by banks, raised interest rates. The average citizen, business, and industry pay interest rates that range from 40% to 144% yearly. This is an outrage. And the government continues to administer, without the courage or strength to take on economic powers, because the government has been infiltrated by these interests.

Both Right and Left are betting that the demonstrations will return during the World Cup. Is there a risk that the demonstrations, which symbolize the desire for change, will bolster conservative forces? Could they be used as part of the electoral game?

Large mobilizations always help to facilitate political debate in society. The Brazilian right does not have a social base, nor does it have rhetoric and proposals that can mobilize millions. Because it would be mobilizing against the interests of the people. The demonstrations, more than welcome, are necessary in order to keep changing the country, to bring the state into the service of the people and get more resources for education, for healthcare. Those who fear the people are no longer close to their interests. No social movement in the history of humanity has occurred without popular mobilization. Change does not happen because of the “good will” of a politician or a guru. As far as timing goes, I hope that the mobilizations begin soon, because when the Cup begins the people’s heads will become confused — they will want to see the Cup, and that will diminish the protests and make them seem as if they are only about the money spent for the event. Of course the money spent on stadiums — close to 8 billion reais — could have been better spent. However, it represents just two weeks worth of the many resources that the government gives to banks. Every two weeks we give a World Cup’s worth of treasury money to the banks. They are our principal enemies; we should denounce and defeat them, inside and outside of government.

What should we expect from the 2014 elections?

Personally, I don’t believe there will be significant change, either in the politicians or in the proposals they advocate. The real changes will not depend on the electoral calendar, they will depend on the capacity of the working class to lay out a a unified program of measures that society needs to be able to solve the everyday problems of the people.

Are the MST and other social movements planning to fly a political flag and hold demonstrations this year?

It’s already flying in the streets, since the second half of last year. We are part of a broad popular front, including CNBB, OAB, ABI, CUT [National Conference of Brazilian Bishops, Order of Attorneys of Brazil, Brazilian Press Association, Unified Workers’ Central], and other popular movements, fighting for political reform that changes the rules of the game, returns to the people the right to choose their representatives, changes the balance of power in society, and opens the door for other necessary reforms. Urban reforms, agricultural reforms, reforms guaranteeing that 10% of GDP goes to education, expanding resources for healthcare, and control over interest on the budget surplus.

Which of these issues would you bet on in 2014?

This is the political leap that we, the social movements, have to make. More then a specific list of demands, in which each social group fights for the needs of their base, it’s fundamental that we build programmatic unity around political issues. This unity will help us create a national movement and do the base-building work of discussing with the people what kind of political changes we want. And apart from this debate, we are organizing a popular vote during the week of September 7, so that the people can vote on the idea of a Constituent Assembly, with sovereign elections, under other rules, exclusively to make political change in the country. I hope that we can mobilize millions of Brazilians for this, and thus bring together forces to put pressure on the Three Powers of the Republic to hold a Constituent Assembly in 2015.



tisdag 2 december 2014

Slut på MST-besöket

Cassia från MST har återvänt till Brasilien. MST hedrades i Riksdagen under prisutdelningen, liksom stödgruppen i Sverige

MST bjöds hit beroende på de ständiga morden på lokala aktivister. Right Livelihood gjorde ett stödbesök hos MST förra året för att vara med på en rättegång. De har numera också ett system för att skydda sina pristagare, MST fick priset 1991
.
Der viktigaste skedde precis på slutet. The Guardians chefredaktör, som också hedrades med priset, lovade skicka en journalist till Brasilien för att skriva en rejäl artikel om läget för MST


Cassia berättade att Dilma har utsett Katia Abreu till jordbruksminister. Mycket märkligt. Hon har varit MST:s viktigaste motståndare i kongressen. Detta måste ses som en provokation. Speciellt som MST mycket starkt bidrog till att Dilma vann valet i andra omgången. Men det beskriver också läget i kongressen. Halva kongressen tillhör sju stora företag, de flesta inom agrobusiness, som stöttat deras kampanjer. Detta är ett stort demokratiskt hinder och dessutom ett möjliggörande av korruption. De samlade folkrörelsernas prioritet är därför att få till stånd en folkomröstning om en reform av Brasiliens politiska system. Detta ligger väl i linje med protesterna förra sommaren. Men har ni sett en rad om detta i svenska medier. En förklaring är att det inte skrivs om detta i Brasilien heller. Medierna behäraska av samma maktgrupper som styr landet politiskt och ekonomiskt

söndag 30 november 2014

Stor motgång för MST

Dilma har utsett Katia Abreu. till jordbruksminister. Mycket märkligt. Hon har varit MST:s viktigaste motståndare i kongressen. Detta måste ses som en provokation. Speciellt som MST mycket starkt bidrog till att Dilma vann valet i andra omgången

onsdag 12 november 2014

Vi marxister kämpar tillsammans med påven mot djävulen i kapitalismen

Påven ordnade ett stort möte med olika sociala rörelser i Vatikanen där Stedile från MST var med. Bland annat föreslog Stedile ett nytt helgon "Santo Antônio... Gramsci".

Härunder en intervju med honom i en italiensk tidning,han talar gott om påvens förmåga att de det destruktiva i kapitalismen. Dessutom talas om att ordna ett stort globalt möte för sociala rörelser i Rom

Lennart

''Nós, marxistas, lutamos junto com o papa para parar o diabo do capitalismo.''

Entrevista com João Pedro Stedile


J

Eis a entrevista.

Como nasceu o encontro no Vaticano?

Tivemos a sorte de manter relações com os movimentos sociais da Argentina, amigos de Francisco, com os quais começamos a trabalhar no encontro mundial. Assim, reunimos 100 dirigentes populares de todo o mundo, sem confissões religiosas. A maioria não era católica. Um encontro muito proveitoso.

O senhor é de formação marxista. Qual a sua opinião sobre o papa e a iniciativa vaticana?

O papa deu uma grande contribuição, com um documento irrepreensível, mais à esquerda do que muitos de nós. Porque afirmou questões de princípio importantes como a reforma agrária, que não é só um problema econômico e político, mas também moral. De fato, ele condenou a grande propriedade. O importante é a simbologia: em 2.000 anos, nenhum papa jamais organizou uma reunião desse tipo com movimentos sociais.

O senhor foi um dos promotores dos Fóruns Sociais nascidos em Porto Alegre. Há uma substituição simbólica por parte do Vaticano em relação à esquerda?

Não, acho que Francisco teve a capacidade de se colocar corretamente diante dos grandes problemas do capitalismo atual como a guerra, a ecologia, o trabalho, a alimentação. E ele tem o mérito de ter iniciado um diálogo com os movimentos sociais. Eu não acho que há sobreposição, mas complementaridade. Em todo caso, assumo a autocrítica, como promotor do Fórum Social, do seu esgotamento e da sua incapacidade de criar uma assembleia mundial dos movimentos sociais. Do encontro com Francisco, nascem duas iniciativas: formar um espaço de diálogo permanente com o Vaticano e, independentemente da Igreja, mas aproveitando a reunião de Roma, construir no futuro um espaço internacional dos movimentos do mundo.

Para fazer o quê?

Para combater o capital financeiro, os bancos, as grandes multinacionais. Os "inimigos do povo" são esses. Como diria o papa, esse é o diabo. Mesmo que todos nós vivamos o inferno. Os pontos traçados do encontro de Roma são muito claros: a terra, para que os alimentos não sejam uma mercadoria, mas um direito; o direito de todos os povos de terem um território, seu próprio país, pense-se nos curdos de Kobane os nos palestinos; um teto digno para todos; o trabalho como direito inalienável.

Os Sem-Terra organizam cursos de formação sobre Gramsci e Rosa Luxemburgo. Nenhum problema para trabalhar com o Vaticano?

Nós vivemos uma crise epocal. As ideologias do segundo pós-guerra se aprofundaram. As pessoas não se sentem mais representadas. No entanto, essa crise também oferece oportunidades de mudança, desde que ninguém se apresente com a solução pronta no bolso. Será preciso um processo, um movimento de participação popular. E qualquer pessoa disposta a participar dele deve ser incluída.

No Brasil, vocês apoiaram a eleição de Dilma Rousseff. Qual é a sua opinião sobre o governo do PT e o seu futuro?

A autonomia, para nós, é um valor importante. O PT geriu o poder com uma linha de "neodesenvolvimentismo", mais progressista do que o neoliberalismo, mas baseada em um pacto de conciliação entre grandes bancos, capital financeiro e setores sociais mais pobres. A operação de redistribuição da renda favoreceu a todos, mas principalmente os bancos. Agora, porém, esse pacto não funciona mais, as expectativas populares cresceram. O ensino universitário, por exemplo, integrou 15% da população estudantil, mas os 85% que ficaram de fora pressionam para entrar. Só que, para responder a essa demanda, seria preciso ao menos 10% do PIB, e, para levantar recursos desse tamanho, se romperia o pacto com as grandes empresas e os bancos.

Então?

O governo tem três caminhos: unir-se novamente à grande burguesia brasileira, como lhe pede o PMDB, construir um novo pacto social com os movimentos populares ou não escolher e abrir uma longa fase de crise. Nós queremos desempenhar um papel e, por isso, propomos um referendo popular para uma Assembleia Constituinte para a reforma da política. A força do povo não está no Parlamento.

Qual é a situação do Movimento dos Sem-Terra hoje?

A nossa ideia, no início, era a de realizar o sonho de todo agricultor do século XX: a terra para todos, bater o latifúndio. Mas o capitalismo mudou, a concentração da terra também significa concentração das tecnologias, da produção, das sementes. É inútil ocupar as terras se, depois, produzirem transgênicos. Não é mais suficiente repartir a terra, mas é preciso uma alimentação para todos, e uma alimentação sadia e de qualidade. Hoje visamos a uma reforma agrária integral, e a nossa luta diz respeito a todos. Por isso, é preciso uma ampla aliança com os operários, os consumidores e também com a Igreja. Somos aliados de qualquer pessoa que deseje a mudança.

A reportagem é de Salvatore Cannavò, publicada no jornal Il Fatto Quotidiano, 03-11-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
oão Pedro Stedile olha a primeira página do jornal Il Fatto Quotidiano em que se vê Maurizio Landini enfrentando a polícia. "Um líder sindical italiano sem gravata? Sério?" A piada sintetiza muito o perfil e a história desse dirigente, já de nível internacional, do movimento "campesino".

O Movimento dos Sem-Terra, é uma organização fundamental do Brasil, imortalizada pelas históricas imagens deSebastião Salgado e com uma história de 30 anos feita de vitórias e de derrotas, mas sempre no primeiro plano da organização dos agricultores.

Stedile é o seu dirigente mais importante. Ele nunca usou gravata e sempre concebeu o seu papel como porta-voz de uma realidade pobre, muito em busca da sua própria emancipação.

Marxista ligado à história da teologia da libertação, ele foi um dos organizadores do Encontro Mundial de Movimentos Populares que ocorreu no Vaticano na semana passada. Em uma das sessões desse debate, que ocorreu entre as curvas sugestivas da sala do Velho Sínodo, ele sugeriu aos purpurados presentes que canonizem até "Santo Antônio... Gramsci".

Os Sem-Terra, a imponente organização que ele dirige, com cerca de 1,5 milhão de membros, têm uma história antiga de ocupações de terra, de lutas e conflitos também duros. Mas também cultivam uma relação "leiga" com o poder, ou, como ele explica, de "autonomia absoluta". Por isso, na última eleição brasileira, apesar de não se envolver muito no primeiro turno eleitoral, depois apoiaram Dilma Rousseff no segundo.

Chegando na Itália para o encontro no Vaticano, ele fez uma turnê de encontros na península apresentando o livro La lunga marcia dei senza terra [A longa marcha dos sem-terra] (EMI Edizioni), de Claudia Fanti, Serena Romagnoli eMarinella Correggia.

No sábado à tarde, foi visitar a Rimaflow, em Trezzano sul Naviglio, a fábrica recuperada que Stedile, diante de 300 pessoas, batizou como "embaixadora dos Sem-Terra em Milão".


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